Associação Brasileira de Psoríase, Artrite Psoriásica e de outras Doenças Crônicas de Pele

Assembleia Legislativa instala Frente Parlamentar pela Psoríase e Artrite Psoriática

A Assembleia Legislativa instalou, na noite desta quarta-feira (2), a Frente Parlamentar pela Psoríase e Artrite Psoriática, que será presidida pela deputada Fran Somensi (PR). O objetivo, segundo a deputada, é contribuir para a construção de políticas públicas para enfrentar a doença, facilitando o diagnóstico e o tratamento precoces. “Políticas públicas resolutivas e eficazes podem reduzir os custos para o Estado e para os pacientes”, acredita.

Fran afirmou que os medicamentos mais avançados, prescritos para os casos graves da doença, só são obtidos pelos pacientes via judicial, o que aumenta os custos em cerca de 70% para o Poder Público. “É possível adquirir o remédio para três pacientes com os recursos que são judicializados apenas para um”, comparou, ao defender a inclusão dos medicamentos para combater a doença na lista dos fornecidos pelo Estado.

A psoríase é uma doença autoimune, inflamatória e crônica que, em geral, afeta a pele, mas pode atingir também as articulações. A doença, que não é contagiosa, se caracteriza por lesões vermelhas e descamativas em formas de placas, normalmente no couro cabeludo, joelho, pés, mãos e unhas, embora possa se espalhar por todo o corpo. Cerca de 30% dos pacientes podem apresentar o acometimento articular. O diagnóstico precoce neste caso é fundamental para início do tratamento adequado. Além disso, muitos portadores de psoríase têm chance de apresentar também hipertensão arterial, diabetes, depressão e obesidade.

Estima-se que de 1 a 3% da população mundial apresente a doença. São 125 milhões de pessoas no mundo e quase 5 milhões no Brasil. As causas são desconhecidas, mas a hereditariedade tem peso fundamental. Além disso, infecções, traumas, frio e estresse funcionam como gatilhos para crises da doença.

O tratamento varia de acordo com a gravidade do caso e envolve opções como medicamentos de uso tópico, fototerapia e tratamentos sistêmicos com imunomoduladores, imunossupressores e medicamentos biológicos, que atuam na redução do ciclo inflamatório.

Diagnóstico precoce
A presidente da Associação Psoríase Brasil, Gládis Lima, considera que “por falta de atenção e de políticas públicas pessoas com psoríase sofrem desnecessariamente”. Ela defendeu a capacitação dos profissionais das unidades básicas de saúde para fazer o diagnóstico precoce e o acesso da população a serviços de dermatologia. “Dados mostram que o diagnóstico leva de seis meses a dois anos. Isso leva as pessoas a sequer iniciarem o tratamento ou começarem só quando a doença já é severa e atinge as articulações. Assim, já são forçados a usar medicamentos biológicos, pois os tópicos não adiantam mais”, denunciou.

Já o representante da Secretaria Estadual de Saúde, diretor do Laboratório Dermatológico Sanitário, Francisco Isaías, frisou que a psoríase é significativa do ponto de vista epidemiológico e social e que afeta a qualidade de vida dos pacientes. Ressaltou que Laboratório, último ambulatório com gestão estadual, é um serviço de excelência no atendimento, formação e pesquisa e que inaugurou recentemente um serviço de fototerapia.

O dermatologista Leandro Leite alertou que a doença pode ser incapacitante, ocorre em qualquer idade e tem dois picos – aos 20 anos e depois dos 50. Além disso, pacientes com psoríase grave têm expectativa de vida menor.

Após a instalação, a Frente realizou sua primeira reunião de trabalho com a explanação de especialistas no tema e pacientes.

Fonte: Assembléia Legislativa